O Portal

Isto não tem presunção de ser obra literária, mas sim expor questionar, pensar, desabafar, refletir...

Pode parecer poético ou político, eclético ou ridículo...

Para aqueles que gostam de reflexão ou não, para aqueles que só querem ler, os que vierem para criticar, especuladores que se escondam no anonimato, curiosos, críticos e desencanados, sejam bem vindos!

Vão encontrar motivos para rir, pensar, ouvir a trilha sonora do texto, criticar ou só passar o tempo.

Não é Lígia Fagundes Telles, nem Cecília Meireles, nem Carlos Drummond de Andrade, nem Mário Quintana... Esses são mestres que embalaram minha história literária. Não sou digna nem de me dizer súdita deles!

Sou apenas sua expectadora boquiaberta, voraz e irriquieta...

Aqui, mais uma entre tantos bloggers.

Pode entrar... a porta está aberta!!!

Líca Lima


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pablo Neruda - Fragmento de "O Poeta"

"Antes andei pela vida, ao meio
de um amor doloroso: antes retive
uma pequena página de quartzo
cravando-me os olhos na vida.
Comprei bondade, estive no mercado
da cobiça, respirei as águas
mais surdas da inveja, a inumana
hostilidade de máscaras e seres.
Vivi num mundo de lamaçal marinho
no qual a flor de súbito, açucena,
me devorava em tremor de espuma,
e onde pus o pé resvalou minha alma
pelas dentaduras do abismo.
Assim nasceu minha poesia, apenas
resgatada de urtigas, empunhada
sobre a solidão como um castigo,
ou apartou no jardim da impuldícia
sua mais secreta flor até enterrá-la.
Isolado assim como água sombria
que vive em seus profundos corredores,
corri de mão em mão, ao isolamento
de cada ser, ao ódio cotidiano..."

Um comentário:

  1. "Naquele ano de perigo e clandestinidade terminei meu livro mais importante: O Canto Geral." PABLO NERUDA em Confesso que Vivi
    CANTO GERAL é uma história marginal da América...

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